terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Gatos

Algumas vezes tenho ouvido e lido que gatos são oportunista ou agressivos. Concordo e discordo ao mesmo tempo. 
Como faz um bom tempo que tenho gatos (+ ou - 20 anos e assim mesmo no plural) posso dizer com propriedade que gatos quando atacam, atacam por quatro motivos básicos:
1 - Seu ambiente foi invadido (gatos como todos felinos são territoriais e brigam por territórios);
2 - Hormonal (se for gata ela pode está no cio, se for gato tem alguma gata no cio por perto, havendo disputa com outros gatos) ou estresse (só vive dentro de casa, sem brinquedos para distraí-los ou outros gatos para brincar, então acumulam energia);
3 - É uma reação a uma agressão (foi pisado sem querer - ou por querer Emoticon frown ), ou a uma ameaça de reação (nunca brinque que vai atacar um gato, principalmente em ambiente fechado como quarto ou wc);
4 - Por desvio de conduta psiquica. Assim como entre humanos, entre outros animais há individuos que sofrem de desvios psiquicóticos que levam a terem atitudes de agressões fora do padrão da espécie.
Não podemos esquecer que gatos são felinos, logo são excelentes caçadores, toda sua estrutura física é feita para atacar - e na maior parte das vezes de maneira sorrateira -, e irão usar desta habilidade se sentirem necessidade.
Eles como poucos se apropriam de seu território e vão defender com a vida se necessário for.
Quando criados só não suportarão a presença de outros gatos - ou animais de outras espécie -, em seu ambiente, e se socializados, vão formar alianças com este ou aquele individuo e a proteção entre eles será mútua.
Mas apesar de tudo isto, são animais amáveis, sociáveis (se sociabiliza até mesmo com individuos de outras espécies) e adoram um carinho, mas tudo ao seu tempo e segundo a sua vontade. Ao contrário dos cachorros não se dão muito bem em aprenderem truques, mas aprendem algumas coisas básicas se ensinadas, mas isto não quer dizer que não são inteligêntes, pelo contrário, observam tudo ao seu redor e apreendem observando as ações dos humanos, depois tentam imitar ou tirar proveito disto.
Alguns cuidados:
1 - Se não conhece o gato direito, ou ele é mais agressivo não é bom pega-lo com as garras virada pra vc, suas unhas são super afiadas, podem provocar traumas significativos;
2 - Brincadeiras de atacar o gato, ou tirar algo que está com ele, ou sua comida como é feito com os cães, podem enfurecer o bichano e não acabar muito bem para o agressor;
3 - Mimos forçados não caem bem com gatos, deixe que eles estabeleçam o tom da relação;
4 - Estabelecer local fixo para que eles durmam é totalmente inútil, deixe que eles se viram neste quisito;
5 - Ambientes pequenos e fechados não é ideal para gatos, se for cria-los dentro de casa ou apartamento, deixem-os circular livremente pelo maior espaço possível;
6 - Não deixe nada que possa quebrar, servir de 'caça' ao seu alcance, vão fazer a festa...;
7 - Ao contrário de cães que na hora da comida comem tudo que é colocado de uma única vez, gatos costumam comerem vagorosamente durante o dia, portanto o prato de comida tem que está sempre abastecido;
8 - Pote de água abastecido é essencial, gatos, principalmente machos castrados, tem grande possibilidade de terem problemas renais agudos, levando a morte se não cuidado a tempo. Sinais como demora na caixa de areia, sentar de lado, dor abdominal ao ser tocado deve acender sinal de alertar e se correr o mais rápido possível para o veterinário;
9 - Não é bom que um gato viva só, dê a oportunidade de ter uma companhia, nem que seja de uma outra espécie;
10 - Tudo pode se tornar brinquedos para gatos, então sempre examine bem o local em que eles convivam, não dando chance para que tenham acesso a objetos cortantes, que quebram ou alimentos que para eles podem ser tornar tóxicos;
11 - Ter caixa de areia para que possam fazer suas necesidades será sempre bem vinda e será de grande conforto e higiene do ambiente.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Persistência (Israel Goulart)

Insisto
            Persisto
                            Permaneço
                                                 Constantemente
Em constante transformação

                                                      Vida!

sábado, 7 de novembro de 2015

Destempero

Destempero (Israel Goulart)

Quem dera, se tu quisera
Passar todo aquele dia
Seguindo de maneira fria
E as mazelas transpusera.

Mas não, triste destino
Seguisse outro percuso
Em teu próprio impulso
Provando amargo veneno.

E em ti cedo chegou
Naquela noite sombria 
O fim de toda alegria.

E em amargo desespero
Em meio ao destempero
Teu fim selaste.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

É cansativo certos tipos de discursos que rondam nossa vida virtual, e pior, eles tem invadido constantemente nossas vidas no mundo real, nos jogando ladeira abaixo.
Neste último ano a crise político-econômica tem tomado grande força nos noticiários e no nosso dia-a-dia virtual e real. Se por um lado isto mostra que o brasileiro está mais antenado com o destino de seu país, por outro lado mostra o vazio enorme de política em nossa sociedade.
Temos nos politizado na marra, e corremos o risco de sermos politizado de maneira vazia, com bases falsas, baseado em mentiras ou inverdades. Não, não estou louco, para mim mentiras e inverdades não são sinônimos, são complementos. Mentiras são ditas deliberadamente, com intenção de enganar ao outro, sabendo da verdade. Inverdades são ditas por se está enganado, com o espírito dominado pelas informações erradas.
Chega a soar estranho e mesmo contraditório num mundo cada vez mais tomado pela rapidez e dinamismo da informação digital nos encontramos desinformados, mas é assim que me sinto, e é assim que sinto que as pessoas estão. Está informado hoje não tem passado de uma grande ilusão, pois os filtros das informações que nos chegam não são capazes de filtrar suficientemente para nos livrar das mentiras e inverdades.
A guerra de informações tem se tornado invasiva, enganosa, maliciosa, sufocante. Por vezes prefiro ficar desinformado, pois me sinto sufocado por tantas informações vazias, que me deixam no meio de um campo de batalha. Batalha invisível, sem tiros, sem bombas, sem sangue, apenas uma guerra que busca dominar as mentes vazias. 
Nesta guerra de informações buscam nos conquistar, e para isto utilizam-se dos meios mais baixos e caluniosos existente. Jovens mentes em formação, carente de conteúdo são as que mais sofrem nessa guerra informacional.    
Temos dois grupos distintos, e atrelados a ambos inúmeros outros grupos que tentam defender seus ídolos. Não há inocentes nestes grupos geradores de informações que são utilizadas como defesa e ataque. Mas afirmo com firmeza, não há inocentes neste meio, mas demonizar a ambos não é o caminho, tão pouco erguer um altar. 
Então qual é o caminho? Conhecereis a história e a história vos libertará! 


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"A generificação das roupas e das atitudes para com elas tem sido, ela mesma, materialmente inscrita através de relações sociais: fora do mercado capitalista, onde o tecedor masculino e o alfaiate masculino tornaram-se, crescentemente, a norma, eram as mu-lheres que eram tanto material quanto ideologicamente, associadas com a confecção, o conserto e a limpeza das roupas. E difícil recapturar plenamente a densi-dade e a complexa transformação dessa relação entre as mulheres das diferentes classes e a roupa". STALLYBRASS, Peter. O caçado de Marx: roupas, memória, dor. Trad.: Tomaz Tadeu,  3ed. BH: Autêntica, p. 23.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Homem do Sudário: amostra internacional
           
            Domingo, 30 de setembro próximo passado, saímos de nossa casa e nos dirigimos ao Shopping Parque Maceió com o objetivo de visitar a exposição internacional “O Homem do Sudário”. Com o ingresso de 1 quilo de alimento, sendo o último dia do evento e uma amostra com um título tão convidativo saí preparado para enfrentar uma longa fila. Mas não, estava enganado, não havia uma grande fila, a fila era consideravelmente pequena. Em menos de 15 minutos já estávamos dentro da exposição.
            Minhas expectativas em torno da exposição não eram grandes, tinha grandes dúvidas quanto a leitura que os organizadores fariam do Sudário. Não sou especialista no assunto, nem tenho interesse em ser, minha praia de pesquisa é outra muito distante de um fantasmático pedaço de lençol fúnebre. Mas quero crer que tenho elementos suficientes de conhecimento no assunto para tomar minha própria posição. Não alimentava grandes ilusões de novas leituras seriam feitas, ou de novidades em descobertas. Tão pouco esperava encontrar exposto o objeto original, nem mesmo uma réplica, embora a exposição se autodeclarasse “exposição internacional”. 
            De cara meu grande medo em relação a uma leitura dirigida e mascarada do objeto exposto foi se tornando realidade. Do lado de fora da exposição, ao lado da entrada, estava sendo celebrada uma Missa, e o tema do sermão era algo do tipo “deixe que o homem do sudário toque sua vida” ou algo parecido com isso. Um grande aglomerado se exprimia para participar da inusitada missa num dia de domingo à tarde em um shopping, contrastando com o ínfimo gatos pintados na fila para conhecer a exposição.
            Mas mesmo assim, ainda não queria crer que a exposição tomasse o rumo, que parecia tomar do lado de fora. É lógico que mesmo antes de sair de casa não esperava grandes coisas ou isenção de fé dos organizadores. Grande ilusão!
            Do lado de dentro da exposição, a primeira seção exposta era uma leitura de fé do sudário, ditando o tom de leitura da exposição. A mesma leitura de sempre, maçante, buscando comprovar que o lençol fúnebre em questão envolveu o corpo moribundo de Jesus. Logo, de quebra, o lençol é uma prova da existência de Jesus e de todo o flagelo sofrido por ele.
            A segunda seção, mudou um pouco o tom, mostrando a cientificidade que gira em torno do sudário. Uma ciência que se contradiz em muitos pontos em torno da antiguidade do lençol e dos elementos que comprovam que o lençol envolveu em algum momento um cadáver humano bastante castigado. Mas a cientificidade parou por aí, de volta a leitura tendenciosa, a exposição força a barra mais uma vez tentando usar as descobertas cientificas para comprovarem seu ponto de vista, sua fé.
            As duas primeiras seções não foram nem aquém e nem além do esperado por mim. Nem decepção, nem encanto, apenas uma fria indiferença.  Não acrescentaram nada de novo, só as mesma e velhas descobertas cientificas em torno do objeto e as mesmas leituras tendenciosas de sempre, tentando adequar o objeto a sua leitura e não ao contrário.
            A terceira e última seção foi mais promissora, com as réplicas de alguns objetos que serviam como suplícios a condenados de rebelião pelos senhores romanos. Essa seção com toda certeza foi de longe a mais interessante e menos tendenciosa.
            O final foi mais tendencioso impossível, em tamanho real da imagem ‘impressa’ no lençol fúnebre, estava exposto o que seria o “Homem do Sudário”. Se o Sudário não deixou claro, o ‘manequim’ exposto mostra bem isso: o “Homem do Sudário” realmente é Cristo. Seu rosto prova isto, é a imagem perfeita que o Ocidente Cristão tem de Cristo, com todos os traços, cabelos, expressão. Jesus realmente existiu, sofreu o flagelo romano da cruz e o Sudário é a grande prova disto.
            Terminamos a visita, de pouco menos de 30 minutos, afinal não tinha tanta coisa assim para apreciar, e nenhuma grande novidade a acrescentar. Tecnicamente falando é uma exposição fraca, em grande parte do percurso contentou-se em expor imagens impressas, não trouxe nenhuma leitura nova, mostrou-se tendenciosa do início ao fim, dando uma leitura pronta do objeto exposto. Seus visitantes pouco tiveram de refletir sobre o assunto, apenas tiveram de digerir a leitura nada reflexiva feita pelos expositores.
            Minha leitura do Sudário não foi modificada, nem ao menos foi acrescentada de algo novo. Continuo acreditando que o Sudário sim envolveu algum corpo em algum momento e sua antiguidade é duvidosa, mas dizer que ele comprova que Jesus foi envolto nele, ou que prova a sua existência é forçar por demais a barra. Se o lençol fúnebre remete a antiguidade romana, por que ele tinha que ter envolvido exatamente Jesus e não um outro corpo de condenado rebelde qualquer? Inúmeros foram os rebeldes crucificados pelos romanos, e o lençol fúnebre tem que pertencer exatamente a Jesus?